A expansão do consumo de drogas ilícitas é um sério problema que atinge principalmente os jovens. São eles os maiores usuários e dependentes, assim como os maiores envolvidos com o tráfico. Não raramente, este contato com o mundo das drogas envolve adolescentes.
Para piorar, as drogas "pesadas", especialmente o crack, espalharam-se pelo país, chegando a locais antes inacessíveis, como os interiores mais longíquos. As cracolândias já não são mais "privilégios" de alguns centros urbanos desordenados. Até os menores municípios já contam com as suas.
Assim, o uso de drogas é um drama que atinge muitas famílias, trazendo dor, sofrimento e comprometendo o futuro de muitos jovens. Devido a este quadro, na campanha presidencial de 2010, o combate ao uso de crack ganhou relevância. Na ocasião, o candidato tucano José Serra apresentou a proposta de criação de uma grande rede de combate ao uso do crack. Já Dilma Roussef prometeu ampliar o já existente e ineficiente "Plano Integrado de Combate ao Crack".
Em 2011, já empossada, a presidente Dilma Roussef relança com outro nome o mesmo programa, agora intitulado "Plano de Enfrentamento ao Uso do Crack e Outras Drogas", prometendo investimento de R$ 4 bilhões.
Infelizmente, tudo não passou de puro marketing, mera peça de propaganda. Hoje o site Contas Abertas trouxe a seguinte matéria: Governo só aplicou 11% do previsto em programa de prevenção ao uso de drogas. Vale destacar o seguinte trecho: "Na ação 'Prevenção de uso/ou Abuso de Drogas', com a segunda maior dotação orçamentária para este ano, de R$ 119,8 milhões, apenas R$ 3,6 milhões foram gastos".
Isso demonstra que Dilma Roussef não tem compromisso com a juventude brasileira, nem com o combate às drogas, só tem compromisso com a próxima eleição.
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segunda-feira, 23 de setembro de 2013
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Artigo de José Serra: A educação e a droga
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| José Serra |
Franca é uma cidade industrial do interior de São Paulo, relativamente próspera e bem administrada pela prefeitura, como pude comprovar ao longo dos últimos anos. Pois bem, um levantamento simples do Conselho Tutelar de lá mostra a complexidade do problema da droga no Brasil: 40% dos estudantes que largam a escola estão envolvidos com o uso de drogas! Como apontou nesta semana o jornal AGORA, esses jovens têm de 12 a 16 anos, são alunos do ensino fundamental, quase todos usuários do crack. Segundo a presidente do Conselho, “o crack tira o adolescente da escola por semanas e, às vezes, não o deixa voltar”.
O combate à droga prometido pelo governo Lula nunca passou dos anúncios eleitorais. Na prática, pouco ou nada saiu do papel e da publicidade. Qualquer programa sério de enfrentamento da questão deveria envolver pelo menos quatro tipos de ações: repressão ao contrabando da cocaína, guerra ao tráfico, educação da população e recuperação dos dependentes químicos.
Quero chamar a atenção aqui para a educação. O Brasil faz muito pouco ou nada para educar as pessoas, incluindo nossa juventude, sobre o males da droga. Há experiências interessantes aqui ou acolá, mas sem grande abrangência.
Quando ministro da Saúde, envolvi-me ativamente na educação a respeito dos males do cigarro. Proibimos a publicidade enganosa, fizemos campanhas de TV (numa delas mostrando que o caubói do Marlboro morreu de doença do pulmão causada pelo tabaco) e introduzimos, nos maços de cigarro, fotos sobre as doenças provocadas pelo tabagismo. Ou seja, concentramo-nos na mitigação do desejo das pessoas de começarem a fumar ou continuar fumando. Posteriormente, no governo de São Paulo, proibimos o fumo nos lugares públicos fechados (incluindo bares, restaurantes, lojas, etc.), iniciativa que se generalizou no país. Tudo isso funcionou: há evidências de que o consumo de cigarros no Brasil pelo menos foi desacelerado, e que se desenvolveu uma cultura antitabagista na sociedade.
Já passou da hora. É preciso fazer uma grande ofensiva educacional de combate às drogas que transformam nossos jovens em dependentes químicos: cooperação com ONGs voltadas a esse objetivo; campanha nas escolas, filmes, cartilhas, esclarecimentos nos jornais, revistas, internet, matérias de rádio e televisão, anúncios como matéria paga, sim, do governo. Campanha intensa e prolongada, inteligente e, acima de tudo, convicta, não envergonhada.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Artigo de José Serra: Armas de Destruição em Massa
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| José Serra |
O Estado de S. Paulo, 28/04/11
Armas e drogas continuam entrando em grande quantidade pelas fronteiras do Brasil. A cocaína transformada em crack e no oxi, um novo produto, torna-se, na verdade, mais destrutiva que armas de fogo. São centenas de milhares de vítimas, ou milhões, se pensarmos nas famílias afetadas. Uma catástrofe humanitária pior do que muitas guerras. O Estado brasileiro está despreparado para enfrentar essa ameaça e socorrer suas vítimas. Não faz o que deveria fazer: combater duramente a entrada das drogas no Brasil, enfrentar o tráfico, promover campanhas educacionais e recuperar os dependentes químicos.
Um médico amigo me explicou o que torna o crack mais perigoso do que a cocaína. Uma pedra é barata, cerca de R$ 5. Assim, é fácil começar a usá-la. Mas muito difícil parar. Inalada como fumaça, ela é absorvida por milhares de alvéolos nos pulmões e entra na corrente sanguínea numa quantidade e numa velocidade muito maiores do que a droga cheirada ou injetada. O prazer devastador que proporciona é imediato e dura pouco. Em menos de 30 minutos o usuário precisa de outra dose, e mais outra… Torna-se incapaz de qualquer atividade desligada do consumo da droga. Perde emprego, renda, bens, laços familiares, freios morais, numa espiral que muitas vezes só acaba na sua morte.
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