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sábado, 15 de maio de 2010

Auditorias detonam governo do PT


Nunca antes na história do Pará – quem sabe do Brasil – se viu algo parecido.
Auditorias comandadas pelo PT, feitas em secretarias de estado e autarquias públicas do governo de Ana Júlia Carepa (PT), apontam um mar de corrupção em todos os setores da administração pública paraense.
Na Secretaria de Educação, mais de R$ 900 milhões foram gastos em obras realizadas sem licitação; na Secretaria de Transportes, em apenas duas obras a Auditoria Geral do Estado (AGE), foram encontradas irregularidades que, somadas, superam R$ 100 milhões.
Os documentos referentes às auditorias foram entregues na semana passada à Assembléia Legislativa do Pará pela ex-auditora-chefe da AGE, Tereza Cordovil – exonerada do cargo pela governadora Ana Júlia – e trazidos ao publico, ontem, dia 13, pela presidente da Comissão de Finanças da Assembléia Legislativa, deputada Simone Morgado (PMDB).
As fraudes são assustadoras. Na Secretaria de Educação, por exemplo, do total da execução orçamentária previsto para 2008, por tipo de licitação, apenas 17,18% passaram por processo licitatório, sendo que 5,12% foram dispensa de licitação, percentual superior ao somatório das demais modalidades: convite, tomada de preços e concorrência, que totalizaram 4,14%.
A execução orçamentária, no item que aponta “licitação não aplicável”, totalizou 82,82% dos recursos da Seduc, registrados no Siafem.
Segundo a Auditoria Geral do Estado (AGE) existe a possibilidade de ocorrências indevidas de registros no sistema, podendo assim, omitir situações de dispensa em número e proporção acima do registrado (5,12%). Os 82,82% correspondem a bagatela de R$ 907.900,492,89.
O governo de Ana Júlia Carepa, segundo mostram as auditorias, fraudou até contratos da merenda escolar das crianças da rede pública do Pará.
É o que exibe, às claras, o contrato firmado entre a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e as empresas Distribuidora Brasil Ltda., Alibra e ATV, auditado pela Auditoria Geral do Estado (AGE) e encaminhado à Assembléia Legislativa pela demissionária ex-auditora-chefe, Tereza Cordovil.
Do contrato, no valor de R$ 9,1 milhões, o governo Ana Júlia pagou R$ 5,7 milhões, mas somente 39,2% do contrato foram executados - devidamente entregues à Seduc -, segundo o relatório da AGE.
Os auditores também comprovaram “fragilidade do planejamento na aquisição da merenda escolar”, “pagamento antecipado a fornecedores, caracterizando favorecimento”; “aquisição de merenda escolar sem formalização contratual” e “ausência de baixa no controle de material.”
Em outra auditoria feita na Secretaria de Educação entre os dias 10 de novembro e 18 de dezembro de 2009, constatou-se que houve superfaturamento de R$ 1.873.300,00 na aquisição de kits escolares –, que a governadora Ana Júlia distribuiu aos milhares em todas as regiões do Estado, num escândalo que resultou em Ação Civil Pública por improbidade administrativa movida contra autoridades do governo pelo Ministério Público Federal e que acabou na demissão da então secretária de Educação, Billa Gallo.
Na análise do contrato 167/2008, os auditores do estado encontraram irregularidades no contrato firmado, por R$ 7.920,000,00, com a empresa IK Barros e Cia Ltda. para o fornecimento de kits escolares para o governo. Após exaustivas análises, chegou-se a seguinte conclusão na AGE:
1 – Houve direcionamento do objeto por inexigibilidade de licitação;
2 - Autorização de despesa por pessoa sem competência legal;
3 - Alteração do contrato sem amparo legal, através de errata no Diário Oficial, alterando o prazo de vigência de dois meses e meio para dois anos e o valor de R$ 825.000,00 para R$ 7.920.000,00;
4 - Ausência de identificação das escolas beneficiadas nos processos de aquisição do programa "TV Pará Educar";
5 - Superfaturamento da despesa no valor R$1.873.300,00;
6 - Inexecução contratual e inefetividade do gasto público;
7 – Utilização orçamentária indevida para execução do "TV Pará educar".
As fraudes com dinheiro público na Secretaria de Estado de Transportes (Setran) superam R$ 100.000,000,00 (Cem milhões de reais), segundo a Auditoria Geral do Estado (AGE), do governo do PT.
A mãe de todas as irregularidades ocorreu em contrato firmado pela Secretaria de Transportes do Pará (Setran) com a empreiteira Delta Construções S/A, no valor de R$ 48 milhões, para restauração da rodovia PA-150, uma das mais importantes do Estado – ligando o sul do Pará à região metropolitana.
Os auditores comprovaram que o contrato foi assinado de forma indevida “por se basear em concorrência pública revogada”. A conclusão é de auditoria feita na Setran, no período de julho a setembro de 2008.
A concorrência pública 010/2006 que previa a restauração da rodovia PA-150 nos subtrechos localizados entre o entroncamento da PA-151 até Eldorados dos Carajás, Xinguara e Redenção foi revogada pelo então governador do Estado, Simão Jatene (PSDB), três dias antes de passar o governo para a atual governadora Ana Júlia Carepa (PT).
O ato da revogação da concorrência foi publicado no Diário Oficial do Estado número 30.832, de 28 de dezembro de 2006.
Outro contrato feito pela e cheio de irregularidades teve a ver com rodovia PA-154, no trecho entre Camará e Cachoeira do Arari, e a rodovia PA-395, obras contratadas junto ao Consórcio Marajoara por R$ 53,4 milhões para a implantação e pavimentação com asfalto.
Inspeção física realizada somente na PA-127 constatou que foram executados apenas 10 km de pavimentação com asfalto dos 30 km contratados e que alguns trechos encontram-se deteriorados.
A auditoria realizada na Setran detectou uma série de irregularidades no contrato, como a ausência de detalhamento no Plano de Trabalho omitindo, por exemplo, os trechos que teriam intervenções, suas localizações exatas e o tipo de serviço, remendo ou pavimentação de forma contínua, o que impediu a análise do bom uso dos recursos públicos.
Constatou-se também a existência de "trechos com revestimento asfáltico não executado ou deteriorado" e o "pagamento em duplicidade do trecho localizado entre os municípios de Xinguara e Redenção.
De acordo com o Siafem, foram pagos R$ 28.644.617,51, equivalentes a 53,63% do total contratado, havendo um saldo contratual de R$ 24.767.561,94, mas o prazo de vigência do contrato expirou em 31/12/2008, dizem os auditores da AGE.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

RELATÓRIOS PODEM DERRUBAR ANA JÚLIA


O pau cantou na reunião extraordinária da Comissão de Finanças da Assembléia Legislativa do Pará. Motivo: a divulgação, pela deputada Simone Morgado, dos três primeiros relatórios da Auditoria Geral do Estado remetidos à Assembleia Legislativa sobre irregularidades na Secretaria de Educação (Seduc), Secretaria de Transportes (Setran) e na Ação Social do Governo (Asipag).
A deputada apresentou um resumo dos relatórios conclusivos da AGE. Foram esses relatórios, entregues à AL que fizeram a governadora Ana Júlia Carepa demitir a auditora Tereza Cordovil. No relatório não há nenhuma opinião ou parecer da presidente da Comissão de Finanças. São recomendações do governo para o próprio governo. Ou seja, as irregularidades falam por si mesmas. Ou melhor, gritam, denunciando os métodos de um governo cujo partido sempre se apresentou à sociedade paraense como paladino da moralidade. Nos relatórios sobre a Seduc, por exemplo, 80% das obras, no atual governo, foram realizadas sem licitação. Há superfaturamento, pagamento integral de obra que mal começou, favorecimento descarado a empreiteiras. Enfim, um festival de crimes contra os cofres públicos que podem até redundar em cassação do mandato de Ana Júlia. Quem chiou, ficou fulo de raiva e quase parte para as chamadas vias de fato com Simone foi o neolíder governista, deputado Gabriel Guerreiro (PV). Ele, no auge do bate-boca com Simone, apresentou, por escrito, uma questão de ordem para que fosse observado o artigo 105, do Regimento Interno da Casa, que prevê cassação de mandato, por falta de decoro parlamentar. Para Gabriel Guerreiro, transmitir informações sobre documentos oficiais de caráter reservado enseja perda de mandato. Indiferente à crise apoplética de Guerreiro, a deputada do PMDB indeferiu a questão de ordem. “Vou divulgar, sim, porque esses relatórios são documentos públicos”. A deputada refrescou a memória de Guerreiro, lembrando a ele que a própria Controladoria Geral da União (CGU) já divulga em seu site a relação de auditorias feitas pelo órgão. Também disse que há o Portal da Transparência, da Presidência da República com informações do governo na internet. "Não tenho medo de perder meu mandato, eu assumo toda a responsabilidade pela publicidade desse material, por isso eu vou divulgar todos os relatórios que chegaram à comissão", fulminou a deputada, acrescentando que não tem medo de ameaça de cassação.
A previsão é que depois de apresentar o conteúdo de cada relatório, a Comissão deverá acionar o Ministério Público e, ainda instalar uma CPI. Simone também cobrou da Auditoria Geral do Estado (AGE) a remessa à Assembleia 90 relatórios que até agora lá não chegaram. Daqui a pouco, colaborando com o interesse público, o blog vai postar a íntegra dos relatórios bombásticos divulgados hoje pela corajosa deputada Simone Morgado.
 
Fonte: Blog do Vic